Parafusando com um martelo

Racionalização exacerbada das últimas décadas tem construído seres puramente lógicos. Esse caminho direciona o indivíduo a constantes questionamentos, até para aquilo que sabe inexistir explicação razoável. Observe que a realidade histórica do observador o impede de aceitar entendimento que seja diverso daquele que ele planejou ou espera para determinado questionamento.

Longe de impedi-lo de questionar quero que observe a real utilidade de possuir uma explicação para tudo. Perguntas descabidas? Sim existem, são aquelas que ao invés de proporcionar crescimento causam estagnação, uma vez que aquele “saber” em nada contribui. Possuir toda informação que existe é desperdício de energia e memória. É como ter seu HD cheio de funk e não gostar de funk.

É estranho e logicamente insano pensar dessa forma, porém é exatamente isso que milhões de pessoas fazem todos os dias, se “ocupam” de informação inútil e incompatível para suas vidas. Apenas acumular informação é o mesmo que acumular lixo em casa, com a diferença que para limpar o trabalho é bem maior.

Viver o questionamento sem finalidade prática traz perda de foco, perguntas demasiadas nos afastam do perceber, do desfrutar pleno das experiências. Observe como um beijo se torna ruim quando do questionamento: você gosta assim…

Lembre-se que a ferramenta da lógica bem treinada é extremamente útil, porém utiliza-la para tudo é como querer utilizar um martelo para parafusar. É através dos questionamentos que temos a forma mais comum de se afastar dos estados intuitivos.

Diogo Conte

Tudo aquilo que não nos melhora intrinsecamente, deve ser evitado. - Caio Miranda (Libertação pelo yôga. Pág. 29).

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